Ao meditarmos sobre nossa vocação e missão na Igreja, somos inevitavelmente conduzidos às palavras do próprio Cristo, que nos recorda, com clareza e profundidade, o verdadeiro sentido do serviço evangélico. Em Marcos 10, 42-45, Jesus adverte os discípulos de que “42aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. 43Mas entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, 44e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. 45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos.”
Em Lucas 22, 25-27, novamente durante a Última Ceia, o Senhor nos ensina que o maior deve comportar-se como o menor, e aquele que governa como quem serve. Estas palavras, pronunciadas no momento mais íntimo e decisivo da vida de Jesus com seus discípulos, não são apenas um conselho espiritual: são um critério de identidade para todos nós que recebemos o sacramento da Ordem.
À luz destes ensinamentos, dirigimos esta carta ao Corpo Diaconal para recordar, com fraterna firmeza, a importância da prudência em nossas atitudes, escolhas e posturas, sejam elas de caráter pastoral, social ou político.
1. A liberdade cristã e seus limites
É verdade que, como cidadãos, possuímos liberdade de consciência e de escolhas políticas. Contudo, como clérigos da Igreja Católica Apostólica Romana, nossa liberdade é sempre iluminada pela responsabilidade e pela comunhão. São Paulo nos recorda em 1Cor 6, 12 “12Posso fazer tudo o que quero.” Sim, mas nem tudo me convém. “Posso fazer tudo o que quero”, mas não deixarei que nada me escravize.” A maturidade espiritual consiste justamente em reconhecer que nem tudo aquilo que é permitido edifica, constrói ou conduz à paz.
2. Prudência e testemunho público
Vivemos tempos em que opiniões, especialmente as políticas, facilmente se transformam em motivo de divisão, escândalo ou conflito. Por isso, exortamos todos os diáconos a evitarem polêmicas públicas, sobretudo aquelas que possam ferir a unidade da comunidade, gerar confusão entre os fiéis ou comprometer a imagem da Igreja.
Nosso testemunho deve ser sempre o da serenidade, da caridade e da moderação. A prudência não é omissão; é sabedoria. É a virtude que nos permite discernir quando falar, como falar e, muitas vezes, quando silenciar para preservar o bem maior.
3. O diaconato como serviço, não como palco
O diácono é, por essência, servo. Seu ministério não é plataforma de opinião, mas espaço de entrega. Não é lugar de protagonismo, mas de humildade. Não é instrumento de disputa, mas de reconciliação. Se Cristo, sendo Senhor, escolheu o caminho do serviço, quanto mais nós, seus ministros, devemos abraçar este estilo de vida com convicção e coerência.
4. Unidade e comunhão eclesial
Recordemos que nossa missão só floresce plenamente quando vivemos em comunhão com a Igreja, com nossos pastores e com o Povo de Deus. A unidade é um bem precioso, e cada um de nós é responsável por preservá-la. Que nossas palavras e atitudes sejam sempre pontes, nunca muros.
Queridos irmãos, que esta exortação seja recebida com o mesmo espírito com que é escrita: espírito de fraternidade, zelo pastoral e amor pela Igreja. Que possamos, juntos, renovar nosso compromisso de sermos servidores fiéis, prudentes e humildes, seguindo o exemplo de Cristo, o Servo por excelência.
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos acompanhe e nos ensine a guardar no coração aquilo que deve ser vivido com sabedoria.
Arquidiocese de Natal (RN)
Arquidiocese de Natal (RN)
Diocese de Mossoró (RN)
Diocese de Mossoró (RN)
Diácono Erivan da Silva Azevedo - Tesoureiro
Diocese de Caicó (RN)

